O Luto não é um ponto final, é um oceano. Como Navegar na Tempestade?
- Jéssica Milato

- há 4 dias
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Quando perdemos alguém que amamos, o mundo que conhecíamos parece desaparecer. Muitas vezes, as pacientes chegam na terapia sentindo-se culpadas por “não estarem melhorando” ou assustadas com a força avassaladora de suas próprias emoções.
Para dar sentido a esse caos, utilizamos a metáfora do Navio no Oceano em Tempestade. Se você está atravessando um luto ou ajudando alguém nesse processo, este texto é para você.
Metáfora: O navio e a bússola perdida
Imagine que sua vida era um navio navegando em águas calmas.
A pessoa que se foi era sua bússola (quem dava direção) ou a força do vento nas suas velas (quem te impulsionava).
De repente, sem aviso, uma tempestade avassaladora — o luto — atinge o seu barco. As ondas são gigantescas, o céu escurece e você perde a visibilidade.
É importante entender uma coisa: o seu navio não afundou. Ele ainda está lá, mas agora está sendo sacudido por forças que parecem maiores do que você.
Como as "ondas" funcionam?
No luto, as emoções não são lineares. Elas são como as ondas do mar:
A imprevisibilidade: Às vezes o mar parece calmo por algumas horas, e de repente, uma onda de choro ou tristeza profunda te atinge sem aviso.
A intensidade: No início, as ondas são frequentes e esmagadoras. Com o tempo, elas não desaparecem, mas o intervalo entre elas aumenta e você aprende a boiar.
Como trabalhar a sua navegação?
Se você sente que está à deriva, tente fazer este exercício de visualização e reflexão:
Descreva sua tempestade: De que tamanho é o seu navio hoje? Qual é a cor das ondas? O céu está começando a abrir ou a chuva ainda está grossa? Dar nome e forma à dor ajuda a torná-la menos aterrorizante.
Identifique seus coletes salva-vidas: Quem são as pessoas ou quais são as atividades que impedem você de submergir? Pode ser um amigo, um animal de estimação, a terapia ou até um hábito simples.
Encontre sua âncora: O que te mantém conectada à realidade e ao presente, impedindo que a tempestade te arraste para longe demais?
Uma mensagem para a Capitã
Muitas vezes, na dor, esquecemos que ainda somos a capitã. Perder a bússola é desorientador, mas você ainda tem o leme em suas mãos.
Minha orientação para você hoje é: Permita-se sentir as ondas.
Não tente lutar contra o oceano — isso só causa exaustão. Em vez disso, aprenda a navegar nele. As tempestades, por mais longas que pareçam, não duram para sempre. Você possui uma resistência interna que talvez ainda não conheça, mas que está sendo forjada agora, no meio do mar bravio.
Confie na sua capacidade de flutuar. Um dia de cada vez, uma onda por vez.
O luto é uma jornada solitária, mas você não precisa navegar sem apoio. Se as ondas estão pesadas demais para você carregar sozinha, a psicoterapia pode ajudar a recalibrar sua rota.
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